Written by Luiz Sampaio on novembro 9, 2018 in Notícias

 A escassez de água em Brasília é um problema grave que vem preocupando os moradores da cidade.  O longo período de estiagem aliado à má gestão dos recursos, baixaram consideravelmente o nível dos reservatórios que abastecem o Distrito Federal alcançando níveis de armazenamento nunca antes vistos por aqui. A barragem do Descoberto, por exemplo, reservatório responsável pelo abastecimento de cerca de 65% do Distrito Federal, ficou abaixo do nível estipulado pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Hídrico do Distrito Federal (Adasa). A resolução do órgão previa limite de mínimo de 11% para quinta-feira (19), quando o reservatório chegou aos 10,5%.

GDF E CAPTAÇÃO 

O governo tem tomado iniciativas diversas buscando diminuir o consumo de água neste delicado período que nossos reservatórios estão atravessando. O racionamento que teve início em janeiro deste ano, ainda não tem previsão para terminar. Outra medida adotada foi o Sistema de Captação do Lago Norte e do Bananal, que servirão como novas fontes de abastecimento. Especialistas apontam outra forma de economia já utilizada em diversos países que até então não se imaginava o uso aqui no Brasil, onde se acreditava que a abundância do recurso oferecido pela natureza não ia ter fim. A partir dessa nova forma de busca e de solução para essa situação, passou a se falar em reuso, ou a reciclagem da água já utilizada à primeira vez.

EMPRESAS

Para atender a demanda do consumo de água nas grandes regiões metropolitanas, empresas de eficiência hídrica como a Enviromix, que criou uma estação focada para os prédios, estão investindo alto em soluções alternativas para enfrentar o problema da falta d’água nos grandes centros urbanos. “Um edifício consome em média 70% de água potável apenas em vasos sanitários, mas, se praticassem o reuso para fins não potáveis, o consumo de água e a quantidade de esgoto despejado diminuiriam drasticamente”, afirma Mário Sérgio Sartori, diretor executivo da Enviromix.

Criada pela Enviromix, a Estação de Reciclagem de Água (ERA) é capaz de produzir 3.000m³ de água de reuso por mês, podendo ser nos vasos sanitários de um edifício e para atividades como lavagem de garagem e irrigação. A estação possui cerca de 25m², não usa produtos químicos e é controlada remotamente. Além de ser uma opção sustentável, a ERA também garante uma economia de até 40% na conta do cliente. Aqui em Brasília, a empresa implantou o sistema no shopping Conjunto Nacional, “Hoje estamos produzindo 30m³/dia de água de reuso no Conjunto, mas a meta é aumentar a produção para 100m³/dia até fevereiro de 2018”, declara Sartori.

A estação de tratamento do shopping será capaz de produzir água de reuso para atender 80% da demanda de consumo de água potável no estabelecimento. Francisco Carpodoro, gerente de operações do centro comercial, falou sobre o método que vem sido utilizado: “Há 4 anos nós temos utilizado o sistema de reutilização de água para irrigação e nos vasos sanitários. A convite da Thermomix – empresa que controla a Enviromix – eu estive em São Paulo para conhecer de perto o programa que já funcionava por lá em prédios e lavanderias, foi aí que decidimos trazê-lo para Brasília. O pioneirismo veio no momento certo, diante da grave crise hídrica que estamos atravessando hoje”, disse.

POPULAÇÃO

Outras medidas mais simples de se economizar água podem ser adotadas no dia a dia das pessoas dentro de casa. Checar se não estão ocorrendo vazamentos no encanamento, não deixar torneiras pingando, deixar pratos e talheres de molho antes de lavá-los, fechar as torneiras enquanto estiver escovando os dentes ou fazendo a barba, saber fazer a leitura do seu hidrômetro  – que é muito simples – controlando o consumo da água dentro de casa e observando se não há vazamentos, dentre outras. Essas práticas além de fazer bem aos reservatórios que estão em estado de atenção máxima, também contribuirão para a economia no orçamento do lar, reduzindo do valor da conta de água.

 

http://www.alo.com.br/noticias/de-reuso-de-agua-a-captacao-de-lagos-brasilienses-se-viram-contra-a-seca-415644